segunda-feira, 22 de setembro de 2008

As pessoas da sala de jantar

De todas as minhas inquietações, nada me atormenta mais do que a quantidade de tarefas inacabadas. Infortúnia herdada através da vaga noção de que ser responsável significa se tornar um robô boçal; a minha rebeldia depõe contra mim mesma.

É o fim.

Mas não vou me render até o final. E quem disse que existe certo, errado e direito? To me lixando pras contas a pagar e não quero nem saber dos deveres de filha e de esposa que predeterminaram a minha posição social.

As pessoas escolhem por você papeis que você nem bem se acostuma já está decidido. Saca a cadeira vazia da mesa de jantar? Ah, muito obrigado, mas esse lugar aqui eu não quero não.

E ponto final.

A fraude

E se não mais que de repente todas as coisas se parecessem infinitamente sem sentido, idiotamente sincronizadas e trapaceiramente enganosas?

Tenho sentido uma estranha farsa dentro da minha própria existência. Como se houvessem outras, umas três ou quatro de mim seguindo caminhos e sentidos diferenciados, buscando o controle do único corpo que rege as vontades de mim.

Foi ali que passei a ter heterônimas de minha pessoa, e tentando satisfazê-las a todas, me perdi. Cansei. Stop ou slow motion, foi o que meu coração lentamente pediu quando queria arrego.

Eu quis brincar até explodir. Fazer o que não imaginaria fazer, e desenhar no céu carbonos de anil.

Mas hoje, uma segunda feira das trevas sorrupiou o canto da minha alegria e invocou a melancólica dúvida da razão: pra que isto tudo, então?

A conta que não se esgota é tamanha que pagaremos a prestação a partir do quadragésimo sétimo aniversário. Ninguém sente na pele o que é ter quarenta anos.

Mas tudo bem. Afinal, vivendo ou não, as contas serão pagas de alguma forma. Hoje eu queria companhia e encontro a casa vazia.

Hoje eu queria descanso, e encontro mais trabalho e mais responsabilidades.

Hoje eu queria produtividade, e todo o percalço do inevitável circulou ao redor do imprevisível.

- Contem com Marphy para finalizar as quartas feiras a tarde. Bom conselho afinal hoje ainda é segunda.

Dead line: game over

Infinitamente incompleta. Esta é uma das minhas versões mais atualizadas.

Ultimamente não tenho tempo para respirar. E nunca foi tão bom – pra que esse titulo então?

Uma sensação de vazio invade a minha alma. Incompleta. Eternamente vazia. Infeliz.

Um medo de estar sozinha. Antigamente eu gostava de estar assim, desacompanhada. Eu era feliz e não sabia.

Tinha controle sobre minha vida, minha saúde, meus pensamentos. Sabia o que buscar, onde como e porquê. Hoje – hoje estou largada em minha vida perdida no mundo.

Não menos feliz. Nunca estive tão feliz. Nunca vivi tão intensamente cada segundo nunca fui tão repleta de atividades e sensações. E agora, o vazio do mundo me preenche.

É como se estivesse tão ocupada a todo minuto, que o simples desarranjo de um imprevisto me largasse à beira de uma estrada sem direção. Volto pra casa então.

E sigo infeliz as horas que passam, sem sono, sem fome, sem companhia. Uma amargura doída no fim do dia.

Queria me sentir bem, e na maioria do tempo estou. Mas essa melancolia que me invade a bacia me pergunta para onde vou?

O que desejar, que tipo de pessoa me tornar? Devo estar solta na vida, correr atrás das lembranças perdidas? Ou apenas e simplesmente deixo ficar, e em seguida volto inibida para a sala de estar?

Ainda não sei exatamente o que é isto, são tantas novidades e tantas rotinas. Queria estar melhor resolvida, mas a medida em que me busco encontro relâmpagos e trovoes:

Quem já não se perguntou: sou um monstro ou isto é ser uma pessoa? (Clarice Lispector)

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

um beijinho e um selinho


Ganhei um selinho da ANA e nao posso deixar passar em branco. Ela é uma fofa, eu adoro o blog dela e pelo jeito, meu carinho é recíproco! obrigadaaaaaaooo Ana!

Eu daria o selo pra própria Ana, mas agora esse ela ja tem! haha


Vou passar pra dois blogs que eu adoro: CENA 7 e Calça Jeans e Havaianas

E viva a rede bloggeira!

domingo, 17 de agosto de 2008

Aula de teatro

Depois de já ter algumas certezas da vida, de alcançar alguns caminhos, encontrar algumas soluções... saber como lidar com as pessoas, ter minhas opções, minhas opiniões, minha maneira de conviver, de pensar, de sentir... Encarei meu maior desejo e meu maior medo: me inscrevi em um curso de teatro.

De repente tudo muda, e muda forte, marcado. De todas as certezas só restam dúvidas. De todos os acordos, só restam assinaturas. De tudo que acreditei válido, certo, direito, nada disso vale. Me tornei gente, mas tarde demais.

Incrível o quanto somos determinados pelo meio, e o quanto somos limitados em nossa percepção. Incrível que eu tenha me enganado tanto a esse ponto de achar que o crescimento é linear, estável, direcionado. Nada. É preciso expandir, aprender mais, melhor, difuso, complexo, desencontrado. Sempre. Aprimorar os sentidos, as memórias, os gestos, o corpo, a vida. Dar espaço para ser outras coisas, e para outras coisas estarem em sua vida.

Porque vivemos amarrados em uma realidade crua e dura, e resistir é preciso. Amar é preciso. Amar é também uma forma de rebeldia. Fazer é uma maneira de estar mais junto da vida que um dia gostaríamos que fosse. (como eu demorei pra entender isso!).

Antigamente eu vivia através da experiência dos outros, do que os outros faziam, pensavam, sentiam, gostavam. E ainda gosto de compartilhar a experiência alheia. Mas fazer... fazer, botar em prática, é encarar tudo, o desejo e o desgosto, o prazer e o cansaço, buscar a exaustão em você... só estando na pele para sentir.

Hoje me tornei assim. Mais leve, mais estranha à mim mesma de antes. Estou sensível para o que posso ainda extrair desta experiência incrível que é viver.

De todas as burradas, esta é a melhor que eu já fiz.

sábado, 2 de agosto de 2008

O Amor Antigo

Carlos Drummond de Andrade

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o amor antigo, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

A cura de Schopenhauer


É interessante que, além da vida real, o homem sempre tem uma segunda vida abstrata onde, com calma deliberação, o que antes o deixava nervoso e irritado parece frio, sem graça e distante: ele é mero espectador e observador.


Deveríamos limitar nossos desejos, controlar nossas vontades e dominar nossa raiva, sabendo que só conseguimos o mínimo do que vale a pena ter.



Devemos encarar com tolerância toda loucura, fracasso e vício dos outros, sabendo que encaramos apenas nossas próprias loucuras, fracassos e vícios.


Poucas coisas deixam as pessoas tão satisfeitas quanto ouvir algum problema ou constatar alguma fraqueza em você.


As grandes dores fazem com que as menores mal sejam sentidas e, na falta das grandes, até o menor desgosto nos atormenta.


A cura de Schopenhauer